Ó minha enfadonha alma

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Ó minha enfadonha alma
Já não são lábaros do teu peito
O dorso desse caminhar

Ó minha enfadonha alma
És vergonha a minha pele
Visto este escapulário
Que já é como um cicatriz que nasceu comigo

Ó minha enfadonha alma
Prega a porta a cruz
Porque ainda continuam fabricando vespas
Decoro a reza porque ainda continuam a fabricar sonhos

Ó minha enfadonha alma
Já não sou fera
Sou ferida.

-socram

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Lembrança

Eram as manhãs que teimava em dormir um pouco mais
foi as decisões que não tomei
metade dos erros que não cometi
por medo
que sou o que sou hoje

foram todos os ônibus errados que peguei
e aqueles que perdi.
foi estar parado na multidão e não saber quem eu era
sem saber o que me tornei
os amigos se foram
sem despedidas
sem abraços
sonhei esse dias que encontrava um deles
e o abraçava.
nunca um sonho foi tão real

via meu irmão em todas os vultos na rua
as casas descendo ao chão como num filme
ainda lembro da dedicatória daquele livro
de todo os caroços de laranja que engoli
e de todos os erros que quero cometer.

{mar}cos

Carapuça

Uma maré pressa na garanta
Uma ânsia análoga
A âncora que finca o mar e para o Barco
A sensação de já saber,
As provas, os fatos, a conclusão

Anseio pelo teu sangue em minhas mãos
Um riso
O olhar no espelho
Os seus olhos em riste
Me despi do costume de meu rosto

E como chupar a o fruto e não sentir o sabor
E essa seiva que desce amarga goela abaixo
Um ralo
pústula dental
Teu cheiro
Teu ar
Nojo de você

{mar}cos